Televisão continua a ser principal fonte de notícias

Setembro 28, 2017 • Investigação, Jornalismo digital, Top stories • by

A televisão, em formato tradicional, continua a ser a principal fonte de acesso a notícias em Portugal, enquanto no acesso a notícias na internet o smartphone ganha terreno face ao computador, conclui o Reuters Digital News Report 2017.

O estudo revela ainda que, face aos 36 países estudados, Portugal continua a ser dos países onde mais se confia nas notícias. E que em termos de pagamento por notícias cerca de 10% dos inquiridos efetuaram algum pagamento por notícias online durante o último ano.

Os dados-chave da edição deste ano do ReutersDNR sobre Portugal assentam quer na interpretação dos dados relativos a 2017 quer na comparação destes com os dados das duas edições anteriores aplicadas em Portugal (2015 e 2016). À semelhança das edições anteriores, o inquérito de 2017 foi aplicado pela YouGov a uma amostra representativa da população portuguesa, em 2017 foram inquiridos um total de 2007 indivíduos (n2015=1041; n2016=2056).

As principais conclusões do ReutersDNR para Portugal em 2017 são as seguintes:

– A televisão continua a ser um pilar fundamental no quotidiano informativo dos portugueses, sendo utilizada por 54,5% dos inquiridos (ganhando 2,0 pp face a 2016). A Internet surge em segundo lugar com 31,5% (descendo 3,2 pp face a 2016).

– As redes sociais têm um peso expressivo nos hábitos noticiosos dos portugueses, 13,3% dos portugueses dizem ser esta a sua principal fonte de notícias (11,8% em 2015 e 15,9% em 2016). Se tivermos em conta o acesso a redes sociais em geral (e não apenas enquanto fonte principal de notícias) verificamos que 62,0% dos inquiridos utilizam este recurso, ou seja, os portugueses recorrem a redes sociais para aceder a notícias, mas esta ainda não é a sua principal forma de acesso.

– Entre as redes sociais mais utilizadas para acesso a notícias em Portugal destaca-se o Facebook, utilizado por 54,3% dos inquiridos, seguido da plataforma de streaming Youtube. Note-se que o Facebook tem vindo a perder utilizadores, em termos de consumos noticiosos – em 2015, 67,0% dos inquiridos afirmavam utilizar essa rede para se informar, em 2016 essa percentagem cai para 62,7%, para se fixar, em 2017, nos referidos 54,3%, uma queda de quase 13,0 pp em dois anos. Destacam-se também as redes sociais de mensagens instantâneas, com o Facebook Messenger a ser utilizado por 16,4% dos inquiridos, em 2017, e o Whatsapp por 6,0%.

– O dispositivo mais utilizado para aceder a notícias é o Laptop / Desktop PC, seguido do Smartphone, que continua a ganhar um peso significativo na relação dos portugueses, não só com as notícias, mas com a Internet em geral. A tendência observada nos 3 anos da análise indica que o PC está a perder importância, neste quadro de análise, com o Smartphone a ganhar cada vez mais importância. Em 2017, 66,6% dos inquiridos dizem utilizar o PC para aceder a notícias e 51,4% dizem recorrer ao Smartphone.

– As Marcas online com Origem na Imprensa Escrita são a fonte noticiosa preferida em termos de origem das marcas de notícias. É de salientar que essa diferença positiva é ténue face às Marcas com origem em Emissoras (Rádio ou TV) e às Marcas Nativas Digitais. As Marcas Nativas Digitais portuguesas têm sido particularmente bem sucedidas nos últimos anos, dinamizando o mercado português de notícias de forma significativa. Em 2017, a diferença entre as Marcas de Imprensa Online e as Marcas Nativas Digitais é de apenas 2,9 pp (percentagens de 71,2% e 68,3%, respetivamente).

– Observando as fontes de notícias tradicionais, offline, verificamos que no Top 10 surgem 4 marcas de televisão, 3 de imprensa e 2 de rádio. Os “jornais locais ou regionais” continuam a surgir também neste Top.

– Sobre as marcas de notícias online verifica-se que se mantém a mesma tendência face ao ponto anterior (3 marcas com origem em televisão, 4 com origem na imprensa). Neste Top 10 não surgem fontes com origem em marcas de rádio e 3 fontes são Marcas Nativas Digitais.

– Relativamente à confiança em notícias, em geral, verificamos que os portugueses continuam a destacar-se face aos restantes países inquiridos, embora nestes três anos tenha vindo a decrescer (58,4% dos inquiridos dizem, em 2017, confiar em notícias – em 2015 esse valor era de 66,0% e em 2016 de 59,6%).

– Regista-se um crescimento de 2,5 pontos percentuais no pagamento por notícias online entre 2015 e 2017, dos 7,0% para os 9,5%, um indicador que continua a estar bastante abaixo da realidade de países como a Alemanha ou os Estados Unidos.

– Em 2017, 36,9% dos inquiridos afirmam ter adquirido algum título de imprensa escrita na semana anterior à da resposta ao inquérito, face a 39,0% em 2016, uma diminuição de 2,1 pontos percentuais.

– 28,0% dos inquiridos utilizam software de adblocking em algum dispositivo com que se ligam à Internet, entre estes 92,8% têm software desse género instalado no seu computador e 25,1% no seu smartphone. 34,3% dos inquiridos dizem estar disponíveis para visualizar anúncios em troca de notícias gratuitas.

– Quando questionados sobre a visualização de vídeos publicitários antes de vídeos noticiosos, os respondentes tendem a considerar que a sua duração não deveria exceder os 5 segundos (50,4%).

– Numa nova questão, introduzida em 2017, 49,1% dos inquiridos dizem costumar evitar notícias. As principais razões apontadas para esta prática são a influência negativa no estado de humor (37,0%), o facto de as imagens explícitas serem chocantes (23,6%) e a falta de confiança em notícias (19,4%). O último dado é particularmente interessante uma vez que os níveis de confiança em conteúdos noticiosos são estruturalmente altos em Portugal.

– Em termos de orientação política auto-percecionada, verifica-se que a amostra portuguesa se encontra entre as menos polarizadas em termos ideológicos, no conjunto dos países analisados. Os inquiridos tendem a concentrar-se no centro do espectro político.

O Reuters Digital News Report 2017 (ReutersDNR 2017) é o sexto relatório anual do Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) e o terceiro relatório a contar com informação sobre Portugal. Enquanto parceiro estratégico, o OberCom – Observatório da Comunicação colaborou com o RISJ na concepção do questionário para Portugal bem como na análise e interpretação final dos dados. A análise foi coordenada em Portugal por Gustavo Cardoso, Miguel Paisana e Ana Pinto Martinho, investigadores do OberCom e membros do CIES-IUL.

Pode encontrar o Digital News Report 2017 aqui. O relatório com os resultados mais específicos para Portugal em breve serão publicados no website do OberCom.

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