Juntos, iremos longe

Outubro 26, 2016 • Jornalismo, Top stories • by

O manual "Rights and Jobs in Journalism – Building stronger unions", resulta do projeto homónimo que teve início há dois anos

O manual “Rights and Jobs in Journalism – Building stronger unions” resulta do projeto homónimo, que teve início há dois anos

Negociação colectiva e contratos de trabalho justos, protecção dos freelancers, direitos de autor e recrutamento de sócios, especialmente entre os mais jovens, são as preocupações do momento para a maioria dos sindicatos europeus reunidos recentemente em Zagreb, na Croácia, para a conferência final do projecto de dois anos “Rights and Jobs in Journalism”, manual disponível na página da Federação Europeia de Jornalistas/FEJ.

As estratégias são múltiplas, ancoradas em culturas sindicais muito distintas, mas os problemas são os mesmos, de modo que é melhor começarmos a aprender – e a trabalhar – com as boas práticas de outros.

Se, na Turquia, os jornalistas são presos e não trabalham com liberdade, se na Croácia, e vizinhos balcânicos, pertencer a um sindicato ainda é “proibido”, a contratação colectiva não existe e os despedimentos assumem razões ideológicas e políticas, nos países nórdicos, os sindicatos já abriram portas a estudantes, os jornalistas do futuro, e também a outros comunicadores, como assessores de imprensa e relações públicas.

Dois exemplos de boas práticas. Da Suíça, o turco Erkan trouxe uma estratégia de cinco simples passos que garante o recrutamento de novos sócios em oito semanas. Nunca falha, seja em que empresa for, garante, explicando que o segredo está em mobilizar as bases, partir do micro para o macro, exigir mais microondas para aquecer a comida antes de explicar a importância do contrato coletivo de trabalho. O problema, diz, é que os sindicatos continuam mais concentrados em resolver problemas, em reagir, do que em mudar a cultura, prevenindo e antecipando as crises.

Da Suécia, Petra trouxe a campanha de resposta a sindicatos cada vez mais velhos, masculinos, fora de moda, aos quais as pessoas atribuíam pouco valor e acção ineficaz. “Like a Swede” é um projecto que vai já para a terceira edição e que mudou a imagem dos sindicatos, garante. Os direitos de autor já não permitem que toda a campanha seja vista no YouTube, mas este excerto ainda está disponível.

Voltando à normalidade, os freelancers continuam a dividir opiniões – afinal, devem ou não ser objecto de políticas específicas e particulares? Atribuir-lhes direitos e proteção de que não gozam atualmente não acaba por reconhecer relações de trabalho que, muitas vezes, assentam em salários baixos e incerteza laboral? -, mas a realidade já é demasiado dramática, no que toca à precariedade, à desproteção legal e real, às ilegalidades encobertas, para se virar a cara para o outro lado e fazer-se de conta que não existem.

Mas há luzes ao fundo de um túnel que todos os sindicatos, é certo, vêem cada vez mais negro. A Comissão Europeia tem em cima da mesa uma proposta de directiva que reconhece, pela primeira vez, que os contratos de trabalho são estabelecidos entre uma parte mais forte e uma parte mais fraca – e que esta são sempre os trabalhadores.

E depois há a urgência de regular os direitos de autor – afinal, o conteúdo é o que de mais valioso tem o jornalismo. E aqui, como seria de esperar, o representante do gigante Google no encontro foi bombardeado com perguntas – quanto vale o conteúdo que disseminam e quando tencionam começar a pagar por ele?

Mas não vale a pena tentar puxar o tempo para trás, porque ele andará para a frente, esteja quem estiver a bordo.
O atual presidente da FEJ, o dinamarquês Mogens Blicher Bjerregård, resumiu tudo a uma frase: “If you want to go fast, go alone; if you want to go far, go together.” É isto que os sindicatos têm de fazer: irem juntos, para chegarem longe.

Print Friendly

Tags:, , , , , , , ,

Send this to friend