Facebook lança campanha para bloquear discursos de ódio nos Media Sociais

Janeiro 26, 2016 • Social Media, Últimas • by

O Facebook lançou uma campanha de alcance europeu para pôr fim aos discursos extremistas e de ódio constantes dos posts colocados através dos Media Sociais. A iniciativa teve início depois de políticos alemães se terem queixado relativamente ao aumento de comentários extremistas e xenófobos no Facebook, assim como noutras plataformas online.

O Facebook lançou a sua Online Civil Courage Initiative em Berlim. Prometeu doar mais de um milhão de euros para apoiar organizações não governamentais que trabalhem no combate ao racismo e à xenofobia online.

Unidade Especial para monitorizar e eliminar posts extremistas no Facebook

A empresa norte-americana baseada em tecnologia também contratou uma unidade especial de monitorização e eliminação de posts racistas na sua plataforma alemã. A iniciativa é apoiada pelo Ministério da Justiça e Protecção do Consumidor alemão, o Instituto londrino para o Diálogo Estratégico (Institute for Strategic Dialogue), a Fundação Amadeu Antonio (Amadeu Antonio Foundation), uma das mais independentes ONGs alemãs, e o Centro Internacional para o Estudo da Radicalização e Violência Política (International Centre for the Study of Radicalisation and Political Violence).

Sheryl Sandberg, Directora do Gabinete de Operações do Facebook, afirmou que os discursos de ódio “não têm lugar na nossa sociedade”, incluindo na Internet. As regras da rede Facebook proíbe o bullying, o assédio e discursos ameaçadores, mas (aquela) tem sucessivamente sido acusada de não as aplicar.

Registado mais do que um ataque por dia contra campos de acolhimento para imigrantes na Alemanha

As preocupações relativamente à forma como o racismo e a xenofobia se propagam através dos Media Sociais, em especial através do Facebook, têm crescido na Alemanha, no seguimento de vários incidentes ocorridos no final do ano passado. Aqueles incluem a emergência de simulações de enforcamentos numa manifestação anti-imigração, cujos cartazes destinavam as “forcas” a Angela Merkel e à sua deputada. Outras forcas simuladas foram erigidas perto de um campo de acolhimento para migrantes.

Têm sido registados mais do que um ataque por dia contra campos de acolhimento de migrantes desde o Verão, quando o Governo alemão se disponibilizou a receber cerca de um milhão de refugiados no seu país.

O incentivo (do ódio) contra refugiados é “aterrador e inaceitável”

Josef Schuster, Director do Conselho Central de Judeus alemão, apontou recentemente que “o incitamento do ódio contra os refugiados atingiu um nível que é absolutamente aterrador e completamente inaceitável”.

O Facebook, em particular, tem sido alvo de críticas. Procuradores em Hamburgo estão oficialmente a investigar o Facebook na Alemanha por falhar na remoção de posts xenófobos.

Reagindo às acusações de que têm sido demasiadamente lentos a controlar o crescimento de discursos de ódio e racismo online através das suas plataformas, a Google, o Facebook e o Twitter acordaram, no passado mês, na eliminação de comentários extremistas num período de 24 horas.

As três empresas também prometeram facilitar a denúncia de discursos de ódio por parte do público, em geral, e de grupos anti-racismo.

Quando os limites da Liberdade de Expressão são ultrapassados, o conteúdo deve ser eliminado da Net

Heiko Maas, o Ministro da Justiça alemão, apoiou a decisão: “Quando os limites da Liberdade de Expressão são ultrapassados, quando se tratam de expressões criminosas, sedição, incitamento à prática de ofensas ilícitas que ameaçam pessoas, esses conteúdos têm que ser eliminados da Internet”, afirmou Maas. “E concordamos que, como regra, isto deverá ser possível de fazer num período de 24h”.

Será demasiadamente tarde para para com os discursos de ódio online?

Os recentes eventos em Colónia, nos quais imigrantes foram considerados culpados por ataques sexuais a centenas de mulheres na véspera da passagem de ano, acenderam uma nova vaga de posts racistas e violentos nos Media Sociais. A iniciativa do Facebook foi bem recebida, mas existe algum receio de que talvez seja parca e demasiadamente tardia.

Texto original (inglês)

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